Freeky e seu amor e história com a Dance Music

Freeky e seu amor e história com a Dance Music

musica eletronica brasilia Freeky

Anderson Freeky é DJ de breakbeat com foco nas variantes do Drum n Bass. Com bom gosto e uma técnica refinada esse amante das bolachas foi um dos Djs que influenciou toda uma geração de DJs da cidade, e hoje é o convidado do TUNTISTUN para um bate papo.

TUNTISTUN: Tudo bem? é uma alegria imensa fazer essa entrevista com você. Eu sei que você é um dos grandes talentos da cidade e referencia inicial de muita gente, vamos falar um pouco disso tudo, beleza?

Tudo bem, Oblongui. Fiquei feliz com a volta do TUNTISTUN. Eu tinha vários zines que vcs entregavam nas festas e alguns que eu pegava na Soundz.. Eram um fonte riquíssima de informação.  Sobre ser um dos talentos da cidade e referência pra muita gente, conte-me sobre… (rs)

TUNTISTUN: Me conta um pouco de você, passou a infância onde, como foi esse período inicial da sua vida?

Sou literalmente nascido e criado em Taguatinga. Como toda criança da época, era basicamente o dia todo na rua, brincando, aprontando. Posso dizer que aproveitei bastante. A tecnologia nem passava perto da molecada!

musica eletronica brasilia freeky

TUNTISTUN: Sempre foi ligado em música?

Por incrível que pareça, não muito. Lembro-me de os meus amigos de adolescência ouvindo Guns n’ Roses, Metallica e outros e eram coisas que não despertavam muito meu interesse. Nessa época, meu negócio era estudar e jogar fliperama. Eu era bem nerd.

Claro que, inconscientemente, vc nota o quanto a gente é influenciado pelo que nossos familiares ouviam.  Tim Maia, James Brown, Janis Joplin, Elvis Presley e outros ótimos artistas tocaram bastante nas festinhas em casa.

TUNTISTUN: Quando descobriu a música eletrônica?

Em 95, já comecei a frequentar as festinhas e as matinês em Taguatinga – New Age, London Country, London London, Opus 4. Já estava inserido na música eletrônica e nem sabia. O que chamavam de “Underground” tinha Breakbeat, House, Techno.

Quando eu ouvi 2 Bad Mice – Bombscare, foi amor à primeira vista. Aqueles beats estranhos, bassline não muito convencionais já chamaram minha atenção. Mas ao ouvir 88,3 feat Lisa May – Wishing on Star ( Urban Shakedown mix)… foi o som que mexeu comigo indescritivelmente.

2 Bad Mice – Bombscare
88,3 feat Lisa May – Wishing on Star ( Urban Shakedown mix)

TUNTISTUN: E quando e como decidiu ser DJ?

Em 97 fiz o curso. Ganhei de presente de aniversário, minha mãe deve se arrepender disso até hoje. Fui a Mr. Dee Jay dar uma olhada, mas não fui muito bem atendido. Fui a Dj School e fui bem atendido(obrigado, Fabinho Tila).

Ele me apresentou o professor, que foi super educado, e me mostrou as instalações. Lá vi um par de Mk2 e já fiquei feliz. Quando o professor começou a mostrar suas habilidades, decidi na hora com quem deveria aprender.

Quem era o professor? O grande mestre Dj Chokolaty. Esse cara é muito importante pra história da discotecagem em Bsb, não só em Bsb. Foi o formador de muitos dos ótimos djs que a cidade tem.

TUNTISTUN: Quais foram as primeiras festas que você olhou para os DJs com mais atenção?

Top Dance, do grande Elyvio Blower.  Naquela época não era comum um simples dj comandar uma pista com 3, 4 mil pessoas em uma festa. Era de arrepiar. Eu vi que era aquilo que queria fazer.

musica eletronica brasilia

TUNTISTUN: E a dança dentro da cultura eletrônica? Diga um pouco pra gente o que você acha dessa combinação.

Como foi mencionado na entrevista do grande amigo Weirdo, nós tínhamos um grupo de dança (rs). Música eletrônica é Dance Music. Impossível dissociar esses elementos. Muitos djs da cena vieram da pista de dança. Sem dúvida o melhor lugar para aprender a ter feeling.

TUNTISTUN: Como você vê a situação atual em relação a cultura do DJ? Mudou muita coisa do que era ser DJ no passado para o papel dele hoje em dia?

É inegável a mudança. Não vejo que aquela figura clássica do dj “cheio de discos, carregando case” seja comum no futuro. O que me deixa triste, mas…

Ser dj nunca foi barato. O custo-benefício (gasto com discos vs cachês) nunca foi tão viável. E hoje a tecnologia tornou o universo dos djs mais acessível. Se é bom ou ruim, o tempo dirá.

TUNTISTUN: O que na sua visão a cidade precisa ainda desenvolver?

Mais investimento. Uma cena não cresce sem isso. Bsb sempre teve um cenário peculiar, a gente sempre “tirou leite de pedra”. Em anos na vida noturna, quantas vezes vimos empresários investirem no setor como em outras cidades? Pouquíssimas.

musica eletronica brasilia

TUNTISTUN: Quais artistas mais te influenciaram?

Os das antigas: Elyvio Blower, Luiz Mão de Fada. Poeck, que foi o primeiro que ouvi tocando DnB em Bsb, o cara que acreditou no meu trabalho e me abriu muitas portas, juntamente com Luij. Sou eternamente grato.. Xandy, hoje amigão, mas sempre foi referência de técnica e bom gosto musical.. Kax e Linkage, dois caras que me apresentaram um novo universo dentro do DnB, djs que são minha referência no quesito mixagem. Djs de outros estilos que sempre gostei de ouvir: Ricco (na época DJ Ricardinho), LS2, Maze One, Arlequim, Oblongui e o Grasshopper (Hopper). Alguns que conheci já quando estava discotecando: Ahmed e Brooks, Dois djs que abriram minha cabeça para outros sons. E claro, Marky, Patife, Andy. Os caras são a história do Dnb no Brasil.

TUNTISTUN: Quais as maiores dificuldades em permanecer muito tempo na carreira de DJ?

Continuamos esbarrando na falta de profissionalismo, mas vejo iniciativas que visam mudar esse cenário. No meu caso, que gosto de tocar com vinil, as variáveis “cachê x gasto com material” nunca foram viáveis. Sair de casa pra ganhar 150 reais não vale a pena.

TUNTISTUN: Você acha que Brasília tem uma cena legal?

Sim, os eventos, mesmo que  independentes, são feitos com muita qualidade. Nossa cidade não perde pra ninguém. Uma única ressalva: falta de diversidade sonora. Hoje vejo extremamente segmentado. Uma festa que curtia bastante era a Bolha. Vc saia de casa, se surpreendia e ouvia vários estilos.

musica eletronica brasilia

TUNTISTUN: Passados esses anos todos, estilos cresceram e foram, carreiras também apareceram e desapareceram, vale a pena ainda esse sacrifício todo que é ser um DJ

Bom, hoje os “sacrifícios” são até mais tranquilos. (rs). A conquista de conseguir comprar um par de toca-discos… só quem ralou, sabe, né? Se tiver amor pela coisa, entrar pra fazer bem feito, ainda vale (meio piegas, mas lidar com musica sempre foi assim, né?)

O sentimento de fazer uma pista dançar, ouvir de um desconhecido que vc “salvou a noite dele”, faz tudo valer a pena.

TUNTISTUN: Tem acompanhado as produções e Djs novatos da cidade? Tem alguns pra indicar?

Djs, gosto muito do trabalho da Demetria. Tem uma ótima pesquisa musical, não se limita em tocar o que está no hype. Janna, curto o som dela e o fato de ela fazer questão de discotecar com toca-discos. O Phyl R me surpreendeu bastante quando o vi tocar. Técnica, feeling, bom gosto. Ele vai longe!

Confesso não estar acompanhando muito o lado de produções, mas destaco o trabalho do Vangeliez. Cada faixa é uma surpresa, musicalidade absurda. O cara anda emplacando músicas nos principais selos ingleses. Pra mim, o melhor produtor de DnB brasileiro na atualidade. Outro que anda fazendo um trabalho bacana é o Data Assault. Broken é outro nome a ficar de olho. Sempre produzindo, sempre evoluindo.

TUNTISTUN: Quais DJs históricos da cidade você pode dizer que a juventude deveria conhecer?

Poeck, Arlequim, Kax, Linkage, Xandy. Para sorte dos mais novos, alguns ainda estão na ativa: Oblongui, Komka, Maze One & Collares, Weirdo (anda fazendo um ótimo trabalho, conhece muito de música).

Posted in

DJ Oblongui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

× Como posso te ajudar?