Átila – o cara do Vangeliez

Vangeliez

Átila é também conhecido como Vangeliez. Um talento da cidade. DJ, produtor de mão cheia e talvez o artista de Brasília que tenha conseguido maior notoriedade mundial quando falamos de Drum n Bass. Brasília precisa conhecer esse cara que é mais famoso fora da cidade do que aqui. E isso precisa mudar.

TUNTISTUN: Grande Atila, como vai cara? É uma satisfação imensa conversar com você, que é um baita talento e é cria dessa cidade. 

Fala Gui, satisfação é toda minha.

TUNTISTUN: Primeiro de tudo cara, conta sua infância e tal, de onde você veio, o que viveu na infância, foi tudo de boa?

Cara, nasci em Brasília onde cresci soltando pipa, andando de bike e muito skate……… 

Foi uma infância maravilhosa junto com meus dois irmãos onde podíamos sair pra brincar na rua sem a preocupação atual (relacionada à drogas e/ou violências) e mesmo meus pais tendo dificuldades, sempre nos deu todo amor e nunca nos faltou nada.

Vangeliez

TUNTISTUN: E a presença da música em sua vida, como foi isso? Escutava muita música quando novo, teve influência da família, conta aí esse período pra gente 😛

Eu venho de uma família de músicos, meu avô era violonista de choro. Meu pai era professor de violão e piano no Sesi e integrante de uma banda de rock psicodélico dos anos 70 chamada Matuskela. Meu irmão mais velho estudou violão clássico na escola de música, mas desde cedo já tocava bateria e eu, obviamente, absorvi toda essa influência. De quebra a minha mãe sempre escutava muita música boa em casa, como Elis Regina, Pink Floyd, Gilberto Gil etc. 

TUNTISTUN: E a música eletrônica, quando entrou na sua vida? 

Foi ali por volta de 90 quando eu escutei pela primeira vez Autobahn, da banda alemã Kraftwerk, aquele som me deixou meio maluco! Até então eu escutava muito soul, funk, rock, música brasileira e aí, de repente, escuto um som tão futurista…. puxa, esse som foi produzido em 1974! Eu nem imaginava que aquilo era possível à época.

TUNTISTUN: E você começou como DJ? Conta um pouco do seu início como DJ?

Sim, eu comecei cedo, com 14 anos. Tocava com som de casa mesmo, então eu via meus tios Xandy e Mede sempre fazendo festas em casa (minha família era bastante “festeira”), em outros ambientes de amigos, e algumas vezes até em boites. Era uma frequência muito divertida, às vezes todos os fins de semana num mês, minimamente uma vez por mês… Então fazia parte da rotina. Quer coisa melhor que ser apaixonado pela rotina? Pois é, cara, aquilo me encantava, me absorvia. Até que um belo dia o tio Xandy deu mole (hahahaha) e eu estava lá, tocando com seus toca discos D35, que depois vieram a ser meus…  

Adorava tocar hip-hop, Mentronix, Whodini, especialmente NWA.

TUNTISTUN: Quais foram os primeiros DJs que te chamaram a atenção, as suas primeiras festas, como foi esse momento de descoberta da cultura eletrônica?

Chokolaty e Celsão 

Cara, a música eletrônica veio num progresso natural, uma extensão apenas dos sons, pois eu já ouvia, por exemplo, Rainforest do Paul hardcastle.  

Minhas primeiras festas foram um caminho também natural, me juntei aos tios Mede e Xandy, tocava em festinhas espalhadas na cidade, tocava em boites de forma sazonal, e eventos em casa de amigos principalmente nos guetos de Brasília.

TUNTISTUN: E você, como muitos, teve por um momento que sair de Brasília, conta sua experiência fora da cidade, foram muitas aventuras?

Verdade, morei por mais de 6 anos na Inglaterra, especificamente em Londres e tirando minha infância, foram os momentos mais lindos da minha vida.
Musicalmente eu posso garantir que foi muito foda.

Tive 5 residências em casas noturnas em Londres e também oportunidades de tocar em vários lugares, tocando sons diferentes como jazz, funk, música brasileira etc.

Pude estudar música, produção, e foi onde lancei meus primeiros discos.
Na verdade uma “escola musical” que tem o reconhecimento através do talento, trabalho, não por amizade ou troca de favores.

TUNTISTUN: Mostra pra gente 5 músicas da década de 90 que foram importantes para sua formação, beleza?

TUNTISTUN: E a produção musical, como entrou na sua vida? 

Em 2000 eu já sentia que eu precisava entender o processo de criação e não apenas executar as músicas já criadas e foi aí que eu, sem saber de absolutamente nada, nem por onde começar, passei a pesquisar. 

Comecei com softwares de edição de áudio, até que me deparei com o primeiro sequenciador, o Acid, e em seguida o Reason

Logo depois mudei pra Londres onde pude estudar produção com mais profundidade e então as coisas foram acontecendo numa progressão natural. Aí se vão anos de investimento em estudos, pesquisas, testes. Atualmente uso o Logic.

TUNTISTUN: Fala um pouco pra quem não te conhece, um pouco da sua discografia aí que é valiosa, pode falar pra gente os seus principais lançamentos e os seus últimos? Sempre lançou como Vangeliez?

Na Inglaterra eu tive um outro projeto chamado Human Factor, com DJ Tisso, que além de ser um grande amigo da vida, também foi um cara extremamente importante na minha discografia. 

Lançamos muitos releases juntos em todos os formatos, vinil, cd, digital, sem querer dar uma de mala, a lista é grande hahahaha. 

Foram momentos inesquecíveis em studio, porém quando retornei ao Brasil, eu fiquei 3 anos sem produzir. Cara, eu tive que mudar tudo na minha vida, sabe? E quando eu falo tudo, estou falando literalmente tudo: E mudar demanda muita energia, né? E o tempo voou! Quando vi, já havia passado 3 anos! Decidi retornar pra essa minha praia porque um surfista sem mar vai deixando de ser surfista. Eu sempre quis também um projeto solo, e estava num momento ideal, daí surgiu o Vangeliez.

Nesse meu retorno eu tive uma ajuda que foi de muita importância do DJ Freeky, que me mostrou em que nível os gringos estavam, e qual tipo de som a galera queria escutar… o que me fez até pensar que talvez eu não pudesse estar preparado…  E esse receio, cara, foi também meu incentivo: fiz o primeiro som da minha volta junto com Patife e DRS (I Will) que virou um hit de verão na Europa, especialmente no festival Sun&Bass na Itália, onde foi tocada várias vezes durante vários dias, por vários djs internacionais, inclusive dois dos que mais admiro, Marcus Intalex e o genial Calibre.

DRS – I Will ft Patife & Vangeliez

TUNTISTUN: E produtores novos da cidade, você tem acompanhado o que está rolando de produção na cidade?

Cara, eu sou pirado no som do MKM, acho o Marquinho um puta de um talento que tem a compreensão exata do que está produzindo, e não apenas joga os loops num looping frenético num “se colar, colou” …. Ele tem controle técnico e muito bom gosto em suas composições.

Gosto muito também do som do Alternative Kasual e do Mkjay, os dois estão produzindo num nível altíssimo e acho isso incrível.  

Tem vários outros que venho acompanhando o progresso de suas produções como, Broken, Brooks, Alan Blue e Weirdo, estão cada dia melhores.

TUNTISTUN: Você é um cara que manja muito de música, mas passa a real pra muitos que não tem o dom que você tem, o que é importante como formação para ser um bom produtor? Eu sei que você não suporta ouvir uma nota errada em música lançada profissionalmente, diz para a galera, dá pra ser um bom produtor sem sacar o mínimo de música?

Eu já fui bem chato em relação às notas, acordes, porém, hoje sou muito mais tolerante, não tenho mais essa neura…. Tudo dentro de um certo limite, claro.

O mais importante pra mim é primeiramente curtir o processo, e não pensar se vai ser lançado ou não: curta o processo, aprenda com ele, tente chegar no maior nível possível porque só somos reconhecidos se estivermos em nível profissional. E uma outra coisa, não solte release que não tenha impacto ou somente por lançar. Eu cometi esse erro no Human Factor, e não foi gostoso, por isso não recomendo.

Tem também vários tutoriais espalhados pela internet que são de grande ajuda para os produtores iniciantes. Por isso repito, nunca pare de estudar… quanto mais sabemos, mais aprendemos que, na verdade, sabemos pouco, pois há sempre muito mais a aprender.

TUNTISTUN: Eu venho de uma família de músicos, mas como fui sempre o “do contra”, acabei virando DJ. Sempre pensei o que deve ser importante para estudar para produzir, é software? É teoria musical? Harmonia? Composição? Algum instrumento? O que você considera importante para os primeiros passos?

Pra mim, o mais importante é escutar todo tipo de música, independente de estilo, isso vai abrindo sua mente.

Se tiver dificuldades técnicas, procure uma escola e não tente copiar ninguém. 

Você pode ter suas influências, mas o seu som tem que ter sua personalidade. 

Também acho importante sugerir que independente do software de sua escolha, estude ele com profundidade e não fique instalando milhões de plugins, porque acaba que você não se aprofunda em nenhum deles e termina perdendo o controle técnico. 

Acredito também que com os auxílios de sample pack que existem hoje em dia e outras ferramentas de internet, acaba que não tem a necessidade de saber sobre composição ou teoria musical, mas é claro que, se souber, isso facilita a produção e o seu direcionamento na hora de sua composição.

TUNTISTUN: E festas memoráveis que você presenciou, cita pra gente algumas, quais djs estavam, foi uma vida de festa, conta aí?

Cara, eu toquei numa festa de final de ano no club The Egg na Inglaterra que foi muito foda, mas já fui em várias festas memoráveis no Fabric e no the End, uma inclusive que levei o Ricco pra jantar com LTJ Bukem depois entramos com ele e o MC Conrad pra testar o som do Fabric. O Ricco brindou com os caras e nem acreditava no que ali estava acontecendo hahaha
Essa noite foi super especial, principalmente por ter proporcionado ao meu amigo uma noite que ele não irá esquecer nunca.

Mas o mais legal foi ter visto por várias vezes o meu maior ídolo que é o Calibre, isso não é novidade pra ninguém: piro no som do cara.
Papai do céu me deu a oportunidade de ver todos os meus ídolos e isso foi de extrema importância para o meu crescimento profissional dentro da música.

TUNTISTUN: E música nova que você tem ouvido, tem algo especial para deixar para a galera? 

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DJ Oblongui

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