1997 na música eletrônica em Brasília parte 2

1997 na música eletrônica em Brasília parte 2

Não dava mais para alegar desconhecimento do que acontecia na cidade, pois mais uma vez a revista Isto É fez uma grande matéria sobre o crescimento da música eletrônica no Brasil, e falou de São Paulo com o Hell’s, Belo Horizonte com o Anderson Noise ( https://www.facebook.com/andersonnoisemusic) , Rio de Janeiro e de Brasília.

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A produtora Couhutec

O momento estava muito interessante na cidade, as festas estavam dando certo, tinham mais DJ’s surgindo e novas possibilidades apareciam. Mau Mau estava se destacando tanto nesse momento, que depois da primeira vinda dele na Grande Tenda e depois no Park Dancing, pensei em fechar logo uma outra data com ele para um evento que pudesse representar aquele momento que eu estava vivendo.

Foi assim que depois da minha “separação” do André e do Pedro e de ter produzido algumas festas, acabei me juntando de vez à produtora que o Leo Cinelli já usava o nome no Wlöd – a Couhutec.

Um novo olhar

Hoje, analisando mais a fundo, penso que nossa separação, naquele momento específico, acabou sendo produtiva pra cidade. Não nos dividimos, nos multiplicamos. Viramos núcleos diferentes, com músicas e estilos muito diferentes, mas com ideais de liberdade e de tolerância  semelhantes.

Eles, exímios pesquisadores musicais, performáticos, com uma bagagem musical e estilos únicos. Eu levando comigo o que aprendi com eles em relação a pesquisa musical e ao ideal da noite, até hoje. O que busquei um pouco além foi no meu desejo de me aprofundar na arte no djing, na arte da discotecagem.

Para a cidade foi positivo, pois aumentaram muito os eventos e as pessoas puderam conhecer diferentes formas de apresentar a arte, a música. Com essa segmentação Brasília se desenvolveu tanto no Techno e House, como no Breakbeat/IDM/Jungle/Drum n’ Bass. Passados muitos anos tenho certeza que acabamos aprendendo muito nesse processo, o que acabou nos unindo mais posteriormente. Foram anos muito intensos e de muito aprendizado coletivo.

Pedro e André apostavam cada vez mais em espaços inusitados, diferentes, com estéticas planejadas e principalmente pensando em concepções artísticas e arquitetônicas. Nosso núcleo apostava em festas mais distantes do centro, onde tínhamos mais liberdade e proporcionávamos um som mais ligado a cultura DJ, ao Techno e a House.

A Invader Space DJz

O projeto da próxima festa estava pronto, tínhamos achado uma casa no Park Way, que certamente hoje em dia muitas pessoas achariam longe. O lugar tinha o nome de Mansão Débia. Estávamos com o desejo de fazer uma festa com a temática da invasão alienígena pois o Léo tinha arrumado uma espuma e ia fazer um ET de 2 metros que brilharia na luz negra. A ideia era colocá-lo em frente a cabine. Para essa ação de decoração chamamos mais um parceiro, o Marciano.

Dia 4 de julho de 1997 fizemos essa aposta, e foi alta. Uma festa distante do centro com dois DJ’s dos mais importantes de Techno na época, cada um de uma cidade, Ricardinho NS do RJ pela primeira vez em Brasília e a volta do Mau Mau, pela terceira vez em 4 meses.

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A sala da casa era em L, o que acabava deixando o lugar com dois ambientes”duas pistas

O ET ficava de frente pra uma pista, que óbvio, foi a que encheu primeiro.

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Capital Club – Taguatinga

Com o sucesso dessa sequência de festas logo somos chamados para fazer uma noite na Capital Club em Taguatinga, boate que estava se estabelecendo como uma das melhores da cidade. E claro, falamos que queríamos o Mau Mau novamente. E dia 30 de julho de 1997 novamente ele é convocado para tocar pela primeira vez em Taguatinga, em plena quarta- feira.

Conseguimos levar uma galera que já garantiria a pista e chegando lá percebemos que a noite ia ser excelente, já tinha fila e gente ansiosa pelo som. Abri a noite tocando o que eu vinha tocando nas minhas festas e quando o Mau Mau entra a casa vai abaixo. Quem conheceu a potência do som, o posicionamento da cabine da Capital sabe o que estou falando. Foi fantástico.

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música eletrônica em Brasília – Capital Club

É interessante citar que esse mesmo ano foi o ano que os DJ’s de Taguatinga começaram a frequentar os eventos undergrounds no plano piloto. Eu sei por depoimentos, principalmente do Ricco, que eles começaram a ir nos eventos da cidade, muitos foram ao Park Dancing ou MiQRa. Alguns trabalharam e frequentaram a Capital Club. DJ’s como Elysio Romero, Poeck, Lui J, Einstein e o Ricco são crias dessa época. Taguatinga e suas festas entrarão mais na história a partir do ano de 1998.

“1997 foi o ano que mergulhei na música eletrônica em Brasília, meus primeiros eventos foram na MiQRa e no Park Dancing”

Relata DJ Ricco

Depois do Park Dancing, outro que se arrisca a produzir eventos foi o DJ e produtor Maze One, que consegue uma data com o DJ Renato Lopes para tocar aqui. Era a segunda vez que o DJ de São Paulo voltaria a Brasília para mostrar o seu som. Foi um final de semana de muito aprendizado para todos que participaram do evento. Tivemos a oportunidade de um contato mais próximo aqui com o Renato Lopes, que também foi muito legal.

Renato é uma pessoa incrível, além de um dos melhores DJ’s do Brasil de todos os tempos. Lembro que fomos levá-lo para almoçar no domingo depois da festa onde a família do Maze One tinha um maravilhoso restaurante árabe no Gilberto Salomão. Aproveitamos para comer lá e a mãe do Maze, muito atenciosa, falava o tempo todo pro Renato, que já tinha comido bastante: – Mas você precisa comer mais um pouquinho, tá tão magrinho…

A abertura da Deep

Outro acontecimento curioso do ano foi que um dos donos da MiQRa saiu de lá e montou uma nova casa noturna. Esse empresário tinha interesse em ter mais um negócio com música eletrônica, e abriu um espaço no Brasília Rádio Center, onde funcionou anteriormente uma pista de Kart Indoor.

O lugar era bem legal e a cabine de som incrível. Seria um excelente negócio se ele tivesse rumo, pois era do mesmo empresário que dormiu e não abriu a MiQRa na noite que causou a saída da Dupla Cnun e Sunrise 1 de lá. O nome do lugar era Deep e fui chamado para tocar na noite de abertura, onde a grande estrela seria a sensacional Miss Honey Dijon, que na época ainda não era tão conhecida.

Infelizmente por questões burocráticas ela não conseguiu o visto de trabalho e não pôde embarcar para o Brasil e sua turnê foi cancelada. Lembro bem que não era um tempo fácil para resolver a burocracia de trazer DJ’s americanos. Tinha a questão de ser visto de trabalho e isso demorava mais que o normal. Os artistas estrangeiros não deviam estar acostumados com o processo mais burocrático que era tocar no Brasil e América do Sul, por conta da política diplomática da reciprocidade, e muitas vezes perdiam os prazos.

A festa e a casa perderam bastante do encanto, mas acabou acontecendo. Outras noites legais rolaram lá e eu tenho o registro de uma noite onde toquei com DJ Maze One, DJ Chec, e o DJ Ls2. Infelizmente a casa não durou muito tempo.

“1997 foi um ano muito importante pra mim, foi o ano que adotei esse estilo de vida. Comecei a frequentar a casa do Gui que era onde todos se reuniam para escutar música. Daí em diante nunca mais consegui sair desse modo de vida”

Relata DJ Maze One

Maze One e Chec começam a se juntar e dividem a compra de um par de Technics Mk2 para se aprofundarem no assunto da discotecagem. Finalmente minhas sementes começam a gerar frutos. O toca disco Technics era o sonho de consumo de qualquer DJ no mundo. Eu mesmo nunca tive a oportunidade de ter um par desses em casa, treinei muito em toca discos bem inferiores, como o CCE.

Eu tive que aprender a mixar na Technics com a experiência do dia a dia, ou seja, tocando na noite, pois é a prática que realmente ensina. Era uma época que de um lado ainda tinha um certo amadorismo misturado com paixão e desconhecimento de como as coisas funcionavam. Mas uma coisa eu já entendia, pra tocar tinha que produzir evento, para produzir evento eu tinha que ser produtor e encarar como negócio, ser empresário, e artista.

Eu começava a me aproximar desses novos DJ’s que estavam aparecendo em volta do que eu estava movimentando. Isso me rendeu excelentes parcerias depois. Maze One e Ls2 começam a frequentar minha casa, onde meu quarto, por muito tempo, foi um ponto de encontro de muitos DJ’s da cidade. Passávamos horas lá ouvindo música, conversando sobre música, e eu estava adorando esse convívio. Estávamos formando um novo grupo na cidade, e era o que eu vinha mais buscando nesses tempos, parceiros que gostassem de Techno e de House e que topassem novas investidas.

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A lista Br-Raves e o rraurl.com

Ainda em agosto de 97 mais um fruto dessa filosofia de buscar conexões pelo Brasil deu resultado. O encontro entre aficionados por música eletrônica aconteceu com a popularização da internet no Brasil. Essas conexões no início da internet foram muito importantes para Brasília e para cena de muitos lugares

Era  a época do início das primeiras listas de discussão na internet e que eram uma evolução do conceito inicial de BBS, que era o Bulletin Board System e do fórum de discussão. Os BBSs dominaram o cenário das comunicações digitais na década de 80, não só nos Estados Unidos, como em muitos outros países, incluindo o Brasil.

Começaram a cair em desuso com a popularização da Internet, em meados da década de 90, onde os fóruns de discussão e as listas ganharam força. A nossa era basicamente uma lista de e-mail onde as pessoas se inscreviam no grupo e podiam mandar e-mails com seus comentários. Outros usuários podiam responder ou criar novos tópicos.

Essa lista juntou amantes de música eletrônica pelo Brasil, e era chamada Br-raves. Muita gente de Brasília, entre DJ’s e frequentadores das festas, eram assinantes da lista. Essa conexão foi única, pois juntou pessoas que viajavam para as festas e festivais pelo país e se encontravam direto, estreitando os laços de amantes de Techno e House pelo Brasil.

Finalmente podíamos trocar informações com pessoas que pensavam e gostavam da mesma coisa, independente de qual lugar do mundo essa pessoa estivesse. Falar isso hoje parece a coisa mais comum do mundo, mas como tentei mostrar nesse texto, eram oportunidades raras na época.

Depois, essa lista de discussão ainda virou um canal de mIRC, que era uma nova tecnologia de comunicação da internet na época, nada mais do que salas temáticas de bate papo, e isso ampliou ainda mais o alcance do grupo. São amizades que duram até hoje, com muitas festas e festivais nas costas, e muitas viradas de ano juntos em Trancoso, Caraíva e Santa Catarina.

Outro ponto importante de referência nacional na cobertura e na troca de informações pelo Brasil foi o portal www.rraurl.com. O rraurl como chamávamos foi criado em 1997 como um projeto entre amigos fãs de música para divulgar e registrar a cena cultural da época. O site existiu exclusivamente como fonte de informação com matérias sobre DJ’s e produtores, depois ampliou para um calendário com as datas das principais festas e festivais, e foi atualizado até o começo de 2011.

Após isso, o arquivo do rraurl esteve disponível para consulta, sem equipe, patrocínio, anunciantes ou atualização até 2016, quando saiu definitivamente do ar. O rraurl era comandado pelo DJ Gil Bárbara, outro grande influenciador na minha trajetória, e pela Gaía Passarelli. Os dois foram batalhadores incansáveis pela disseminação da cultura underground pelo Brasil. Eu falarei mais desses dois personagens nos anos a frente.

Um dia lá em casa, ficamos pensando em fazer uma festa e da lista Br-raves pensamos em chamar para tocar um DJ que se destacava como DJ de Techno no grupo seja pelo conhecimento técnico ou pela pesquisa musical  e seu nome era Fábio Mont’alegre, conhecido como DJ Spiceee. Ele era de Florianópolis e veio para tocar em uma festa no dia 23 de agosto que fizemos no Park Way mas que infelizmente não tenho  registros. Ele ia ficar um final de semana e ficou quase 2 meses na minha casa, e se juntou ao grupo que já estava indo pra lá direto.

Lembro que quando fomos busca-lo no aeroporto ele me perguntou uma coisa curiosa que lembro até hoje: “Como você traz um DJ sem nem saber se ele sabe mixar?”. Não era todo o DJ que tinha condições de gravar fitas K7 e distribuir pelo Brasil. Não tinha download de set para você saber se realmente as pessoas sabiam tocar, era muito importante ter uma pesquisa musical diferenciada para ter destaque.

Com essa lista e com a amizade entre os DJ’s que faziam parte dela, logo chega uma novidade que poderia ampliar muito o nosso acesso aos discos importados. Entravam na internet as primeiras lojas de discos de vinil online. E nesse início duas lojas atendiam muito bem ao Brasil, a Satellite Records de NY e a Bent Crayon de Ohio, ambas nos Estados Unidos.

Pra mim, era a primeira oportunidade de poder comprar um disco escutando realmente a música e não só pelo artista. Nessa época sempre comprávamos discos por meio de uma listas de discos que queríamos, e muitas vezes nunca tínhamos escutado.

Comprávamos os discos de artistas que pesquisávamos previamente, não dava pra torrar uma fortuna sem pesquisar um mínimo antes. E essa pesquisa se dava via revistas, compra de discos, vendo outros DJ’s tocarem, e agora via listas de discussão e sites como o rraurl.com.

bent crayon

Satellite Records

Crex Crex Crub

Já a dupla Pedro e André, ainda conhecidos como Sunrise 1 e Cnun, preparavam uma série de doze festas com o nome de Crex Crex Crub. Essa saga complementaria a mudança de nome planejada pela dupla após a saída da MiQRa. Foi o auge do experimentalismo na noite da cidade.

Eles fizeram um prelúdio no Rock Machine, espaço que existiu no fim da Asa Norte que era comandado por Fábio Braga, DJ Psk do Temprano, sócio de Ernani Pelúcio, meu parceiro de infância. Falarei mais desses dois mais para frente. Fomos para a festa eu, Spiceee e Ls2. Essa noite foi marcante, pois além da excelente festa, foi a noite do acidente da Lady Di que a vitimou horas depois. Lembro bem da tristeza do Spiceee.

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A série Crex Crex Crub inovou em muitas coisas, desde o flyer, ao conteúdo do flyer. Inovou também na distribuição do flyer, na decoração, no local, na performances, enfim, tudo foi milimetricamente pensado. E tudo foi executado com um primor de cair o queixo pelas mãos do André Costa. Era impressionante como a cidade aceitava experimentar sensações diferentes de uma forma tão intensa, escutando uma música tão abstrata.

Alguns momentos icônicos das festas foram: Timoteo cobrindo a pista debaixo do eixão sul, com um manto azul que saia do seu corpo, de sua roupa e da sua cabeça, tudo isso ao som de Autechre. André sempre pensou na questão da arquitetura e da importância do uso do espaço da festa e veremos que nos anos seguintes ele levou essa idéia onde ninguém nunca tinha imaginado.

Primeiro que o espaço escolhido para a Crex Crex Crub foi no cruzamento dos Eixos de Lúcio Costa, num restaurante que na época se chamava Nova Lapa e que posteriormente virou a Churrascaria Floresta onde a Makossa do Léo Cinelli e do Chicco Aquino ocuparam por mais de 15 anos.

flyer de abertura do evento era uma arte frente e verso dentro do qual havia um disquete com um ovinho de codorna cozido. A arte do flyer era um universo cheio de mensagens cifradas misturadas com teorias urbanísticas de Lúcio Costa. Até a mãe do André o ajudou a confeccionar tudo. Lembro que o Spiceee, que estava na cidade já encantado com o que a gente fazia, quando olhou as coisas que o André e Pedro estavam distribuindo na rua para fazer divulgação, ficou alucinado.

Esse foi um dos motivos para ele ter ficado mais tempo na cidade, ele queria ir em várias festas. Eu cheguei a tocar em uma das festas dessa sequência da dupla como convidado, e esse foi o começo da nossa reaproximação. A gente se respeitava e se gostava muito pra ficar muito tempo distante. Crex Crex era uma codorna, e o Crub veio fechar a sequência de aves raras que eles fizeram. Sai Cnun e entra Isn’t, sai Sunrise 1 e entra The Six. Tem início um época em que compreenderam que, para eles, a cidade não funcionava com lugares fixos.

“Adotamos daí em diante a efemeridade e a itinerância como princípios. De fato, nunca gostamos de nos repetir”

Afirma André Costa.

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Wonderland – Techno Party

Em Outubro mais uma festa importante acontecia na cidade, era a despedida da casa onde moravam as irmãs Biato, Júlia, Alice e Laura. A casa no lago norte abrigou duas pistas, uma na garagem e uma dentro da casa. Na garagem tocaram João Luiz, hoje conhecido como DJ Linkage e Bruno Soares, hoje conhecido como DJ Arlequim. Bruno, mesmo muito novo, já tinha muita experiência como DJ e já atuava com uma equipe de som. Bruno fez o curso de DJ com o DJ Chocolaty, mestre pioneiro no ensino da arte de mixar em Brasília.

Vários DJ’s de música eletrônica da cidade fizeram o curso com o Chocolaty. Linkage e Arlequim, muito dedicados em estudar a arte da discotecagem, serão mencionados nos anos seguintes. Na pista dentro da casa tocaram eu, Mr. Spacely e Spiceee, que voltava a tocar na cidade em uma festa memorável. Ao fim da noitada, já de manhã, fomos mostrar a cachoeira do poço azul para ele, que preferiu ficar comigo o tempo todo dentro do carro escutando música (em fitas K7s) enquanto o resto do pessoal foi pra cachoeira.

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A cobertura do Edifício Varig

Em novembro Spiceee volta novamente a tocar em Brasília. Dessa vez para uma outra festa incrível, em um espaço nunca antes usado para esse tipo de evento, a cobertura do edifício Varig. Fazer uma festa naquele cenário era impensável até então, e isso foi muito marcante. A chegada no evento, a fila na entrada, a subida de elevador para cobertura, tudo era uma sensação nova.

Completando a festa eu toco pela primeira vez com o DJ Xandy que sempre foi um grande DJ, e essa era a primeira oportunidade que tocávamos juntos. Xandy também voltará na história mais para frente, nos anos posteriores. A festa no edifício Varig foi muito legal, e comentada por anos, e sempre foi um desejo de todos voltar a realizar um evento lá. Foi a primeira vez que usamos a cobertura de um edifício no centro da cidade e que tinha uma vista impressionante. Techno do começo ao fim e Spiceee vai ganhando também espaço na cidade.

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Aqui deixo músicas que refletiram meus sets nesse maravilhoso ano para a música.

Principais músicas que toquei no ano

Hora de dar PLAY!

Laurent Garnier ‎– Crispy Bacon

Jeff Mills – Cubango

Jeff Mills The Bells

Ignacio Organa

Ignacio Organon

Dave Angel – Club Hell

Funk D’Void ‎– Bad Coffee

Mike Dearborn – Possessed

Underground Resistance – Untitled ( Codebreaker – A1 )

The Advent – Armageden

Surgeon – Patience (Part 4)

Slam – Painless

O próximo capítulo

O ano de 1997 foi um marco para Brasília em muitos sentidos. A cidade estava cada vez mais aberta a música eletrônica e dava pra ver que isso vinha crescendo ano a ano, mostrando que um trabalho de base bem executado vinha sendo feito. A cidade tinha saído de suas tradicionais festas pequenas de música eletrônica para duas casas cheias de conceito como o Wlöd e a MiQRa e para festas que mudaram os padrões da cidade como Park Dancing, Crex Crex Crub, Grande Tenda e Invaders.

Vamos falar de 1998 no próximo texto, ano para mim determinante e que seus reflexos durariam muito tempo. O crescimento da música eletrônica tinha extrapolado as fronteiras, estava na crista da onda, para o bem e para o mal. Será que as festas até então clandestinas, continuariam a funcionar nesse modelo? Ao trazer esse próximo texto que falará de 98 eu quero fazer uma reflexão de como o contexto político pode influenciar nas atividades culturais da cidade. Falarei desse ano importantíssimo em breve, fique ligado.

Continua…

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DJ Oblongui

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