LuizFribs conta sua experiência com violino antes mesmo de aprender a ler e escrever – 2022

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LuizFribs conta sua experiência com violino antes mesmo de aprender a ler e escrever

Ele ainda dá a letra de como aproximou a música clássica de seu trabalho com hard e industrial Techno

por Rodrigo Airaf

Quando pensamos em quem toca violino, não pensamos primeiramente que esta pessoa vá parar em um gênero musical obscuro, rápido e com elementos diversos em intensa costura como o Techno hard e industrial. Mas LuizFribs é um ponto fora da curva em qualquer coisa envolvendo a arte. Este fato se comprova com seu recente lançamento no selo paulista Under Division, por onde lançou o EP Love Is The End e reforçou sua identidade no cenário de dance music. 

https://open.spotify.com/track/6dCxDbqcRXADnOSEjfQxeT?si=9ea060df7e5648a5

Desde antes da pandemia, LuizFribs flertava com o eletrônico e com a possibilidade de estrear seu show em formato live act, este que, de fato, estreou em 2017. A pandemia, inclusive, foi um período em que o artista pôde dedicar-se ao aprimoramento do seu trabalho para recentemente passar a colher os frutos, que vieram através do suporte de nomes como Kobosil, SPFDJ, D.A.V.E. The Drummer e Clara Cuvé, além da confirmação de que vai lançar seu álbum debut em algum momento deste ano. 

Curiosos sobre esta jornada nada comum, conversamos com o DJ e produtor goiano. 

Oi Luiz, tudo bem? O cenário aqui é Goiânia e você se deparou com a música bem cedo. Quando foi isso, exatamente, e quem incentivou este primeiro relacionamento com a música? 

LuizFribs: E aí pessoal, tudo certo por aqui! Meus primeiros contatos com a música aconteceram tão cedo que não consigo nem responder quando exatamente! [risos] Vim de uma família que sempre consumiu muita música, dos mais diversos gêneros, e aos 3 anos de idade já pedia para meus pais me colocarem na aula de música, mas eles achavam que ainda era muito cedo. Com 4, de tanto insistir, eles acabaram aceitando, e então encontramos um professor que topou pegar um aluno tão novo… 

O incentivo veio praticamente de todo mundo da família. Em especial, meu pai teve uma equipe de som para festas (mais ou menos como se fossem DJs, mas não se intitulavam assim [risos]), e também batucou na juventude, em alguns bares, com uma turma de amigos, e minha avó paterna era filha de violinista e apaixonada por música clássica, então, sem dúvidas, os dois foram determinantes no meu desenvolvimento como músico.

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Então sua família já tinha seu bisavô e seu pai com background musical. Quais momentos da sua adolescência e vida adulta consegue lembrar terem sido marcantes nesse relacionamento em torno da música?

LuizFribs: Não cheguei a conhecer o meu bisavô violinista, que faleceu meses antes de eu nascer. No começo da adolescência, quando entrei na orquestra, minha avó (filha dele) estava em tratamento de câncer, e, infelizmente, também não chegou a prestigiar minha primeira apresentação ali, falecendo pouco depois desse dia. Isso me marcou bastante, e, sem dúvidas, me motivou a seguir em frente, fazendo algo que ela tanto gostava e se orgulhava.

Já na fase adulta, me marcou bastante a minha estreia como DJ, em uma gig que rolou no meu club favorito em Goiânia naquela época. Até então, eu já tocava, tinha um projeto de música eletrônica (que comecei aos 14 anos, e tocava apenas como violinista), mas quando assumi os decks pela primeira vez, senti uma energia absurda, que me fez entender que eu realmente queria fazer desta carreira a minha profissão.

Meu pai, por gostar bastante de música eletrônica, sempre fez questão de prestigiar minhas apresentações, mesmo depois de eu ter me tornado maior de idade e já não precisar mais dele ali para poder trabalhar [risos], e nesse dia em especial, foi muito bom tê-lo ali presenciando um passo tão importante na minha profissão!

Música clássica te deu muita base para posteriormente tornar-se produtor musical. Você ainda tem contato com este gênero musical? Como? 

LuizFribs: Sem dúvidas! Escuto muitos concertos, sinfonias e peças clássicas no meu dia-a-dia, e, antes da pandemia, eu sempre ia em concertos das orquestras daqui de Goiânia. Ultimamente estou em falta, mas, agora que a vida está se normalizando, pretendo voltar a ir sempre que possível! Também, estou sempre estudando algumas obras quando pratico violino.

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Como foi seu processo de apaixonamento pela música eletrônica e por que o Hard Techno? Com quem você se conectou, de quais rolês participou inicialmente?

LuizFribs: No início da minha adolescência, meu consumo de música eletrônica era basicamente limitado às músicas mais comerciais, que tocavam nas rádios, além dos discos de bandas de synthpop, disco music e eurodance que meu pai tinha e sempre colocava para tocar.

Através de um convite feito por um colega de escola, que era DJ, tocamos juntos em algumas festas, até que resolvemos levar a brincadeira a sério e criamos um projeto DJ+violinista, e foi a partir daí que meu amor pela música eletrônica, o interesse nos diferentes estilos e minhas pesquisas musicais começaram a tomar forma.

Desde quando passei a entender melhor desse universo, meus gostos sempre foram indo de encontro às sonoridades mais undergrounds, mesmo enquanto tocava uma linha mais comercial. Nos primeiros 5 anos de produção, transitei pelo Deep House e pelo Techno melódico (que na época ainda nem tinha essa denominação [risos]).

No mesmo período, conheci pessoalmente e me aproximei do Alex Justino, hoje um grande amigo, e seu selo, Nin92wo, de enorme importância nacional e com reconhecimento internacional, [que na época] tomava seus rumos definitivos em direção ao Techno, o que, sem dúvidas, me influenciou na linha sonora que eu iria seguir.

Já o Hard Techno me conquistou de vez no começo da pandemia. Desde minha ida à Amsterdã, durante o ADE de 2018, me vi gostando de sons mais acelerados, com aquela pegada mais oldschool que remete às famosas raves de Rotterdam e ao Trance dos anos 90/2000, mas relutei por um tempo até assumir de vez esta linha sonora. Foi o tempo dedicado quase que exclusivamente ao estúdio que me encorajou a seguir no estilo que eu realmente gosto!

Conte-nos cinco faixas de hard Techno que foram determinantes para decidir seguir carreira como DJ e produtor. 

LuizFribs:

1| Regal – Fuck Making Love

2| 999999999 – IX IX

3| O.B.I. – Triebwerk I

4| Slam – Vapour

5| D.A.V.E. The Drummer – Compactor

Misturar dance music extrema ao violino nos parece algo muito interessante. Conte-nos um pouco sobre esta identidade sonora que você construiu para seu live act e como você une os elementos de cada vertente. 

LuizFribs: O processo de misturar um elemento extremamente orgânico, como o violino, a sons carregados de distorção e elementos pesados é uma constante evolução, e posso dizer que é o meu principal desafio como produtor/live act. Minha identidade sonora vem sendo construída através de muita experimentação, tentativas e erros, e também acertos. 

Desde que comecei a me apresentar com o live, fui modificando a técnica utilizada para tocar o instrumento (menos notas longas e construções de frases melódicas muito elaboradas, e mais frases curtas que vão sendo loopadas à medida que a construção da faixa vai acontecendo), e também passei a utilizar efeitos de distorção no violino, mesmo que às vezes de forma sutil, para que ele se encaixe melhor e converse com o estilo impresso nas minhas produções.

Muitas vezes, tenho utilizado o violino também para criar as texturas e ambiências das faixas, através de muito processamento, e por vezes, síntese granular.

Qual é o setup do seu live act atualmente?

LuizFribs: Akai APC40 mkII (para disparar/gravar os loops), Novation Launchkey 25 mk3 (para tocar partes ao vivo), Roland TR-8S (que faz toda a bateria das faixas), Roland TB-03 (acids), iPad (como controle remoto de alguns parâmetros do Ableton Live), Yamaha SV-205 (violino) e o Macbook. De periféricos, uso uma Scarlett 6i6 como interface de áudio e um Shure PSM200 para monitoração (cue) dos canais do live.

Em um nível pessoal, qual é o sentimento que te prende à música eletrônica e o que ela representa na sua vida? 

LuizFribs: O sentimento de união, de comunidade e a energia compartilhada numa pista eletrônica são indescritíveis. As pessoas estão ali conectadas, por algumas horas, ignorando seus problemas do dia-a-dia, suas dificuldades e suas tristezas, e se concentrando em simplesmente viver ao máximo aquele momento. Todo este contexto leva alegria em períodos muitas vezes difíceis, em que só a música é capaz de agir. E pensar que posso ser um agente dessa alegria me motiva, cada dia mais, a seguir em frente, fazendo o que amo e levando isso para as outras pessoas!

Se você já puder falar, quais são suas próximas novidades em 2022?

LuizFribs: Nestes últimos dias tenho preparado meu live act para tocá-lo novamente aqui em Goiânia, depois de quase três anos desde a última gig com ele por aqui! Alguns novos EPs estão prontos e devem sair no segundo semestre, em selos bem legais. Meu próximo lançamento deve acontecer ainda em abril, com a faixa “Hard Bourrée”, que sairá por uma coletânea incrível realizada pela Innergate, da Geórgia, que reuniu mais de 100 artistas do Hard Techno em prol das vítimas da guerra na Ucrânia.

O projeto de finalizar meu primeiro álbum ainda esse ano está firme, apesar de não poder garantir quando exatamente conseguirei lançá-lo, já que é um processo bem mais intenso e que requer mais atenção que a criação de um EP.

De resto, prefiro deixar as novidades irem acontecendo, e para saberem o que vem por aí, vocês terão que me acompanhar nas redes! [risos]

Acompanhe LuizFribs no Instagram, SoundCloud e YouTube.

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Equipe TUNTISTUN

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