Anachuri: Uma história de amor com a música Eletrônica

Anachuri: Uma história de amor com a música Eletrônica

Anachuri

Dj Anachuri, a.k.a Alfredo Anachuri é Argentino de Buenos Aires, e é cria da house music dos anos 90′. Viveu muitas coisas e tem muita história para contar. Ele hoje mora em Brasília onde temos o privilégio de ter alguém com muito talento e conhecimento perto da gente. Vamos conhecer suas aventuras.

TUNTISTUN: Tudo bem? é uma alegria imensa fazer essa entrevista com você que eu sei que tem história pra contar! Me conta um pouco de você, como foi sua infância, sei que não nasceu aqui, mas conta pro pessoal, como foi esse período inicial?

ANACHURI: Primeiramente quero te agradecer pela oportunidade de estar aqui com você, um cara que fez historia na música eletrônica em Brasília.

Eu sou de Buenos Aires, tenho 39 anos, fui criado no bairro de Almagro, jogava bola com meus primos, vídeo game, andava de patinete e de bike pela cidade toda. Sempre fui muito de rua e minha família sempre me deu liberdade para ir e vir.

TUNTISTUN: Sempre foi ligado em música?

Sempre gostei desde pequeno, minha mãe colocava Michael Jackson, Madonna e Queen. Toda a música produzida nessa época era muito boa, quando tinha 10 anos gostava de rock e heavy metal, guns ‘n roses, iron maiden e acdc. Depois começou a tocar nas rádios a música dance: house e eurohouse. A partir dos 12 anos, em 1993, que eu comecei a me interessar mais em outros estilos.

Daí ganhei de presente de aniversário a fita cassete do Technotronic, eu amava e sentia que algo bom estava por vir.

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TUNTISTUN: Eu, conversando com você, sei que você muito novo já frequentava lugares onde tinham DJs, de fato na década de 90 era mais fácil ver menores de idade saindo a noite dessa forma, como foram os anos 90 na Argentina?

Buenos Aires sempre teve muitos clubes, nos anos 90 tivemos o governo do Menem onde o peso e o dólar estavam 1 a 1. A maioria estava muito bem economicamente, eu estreava roupa nova todo final de semana. Eu tinha 13 anos, ia mais nas matinés que rolava em todo club grande, até na Pachá. Depois existiam as festas maraton, sempre em feriados que era das 6h da tarde até as 6h da manhã. Mas eu as vezes depois da matinée queria ficar pra festa que rolava mais tarde e as mulheres da chapelaria me escondiam pra eu poder ficar e tipo 1h da manhã eu já estava de novo na pista. Era muito divertido!

O primeiro club que frequentei foi em 1994, já no primeiro ano do ensino médio, chamava-se Cinema, era um antigo cine que pra fazer a pista tiraram todas as poltronas. Tinha 3 andares, no meio do club funcionava a área vip. E em cima onde também tinham espaços reservados, onde as pessoas iam pra beijar e conversar. Meu primeiro beijo foi ali, uma menina que era modelo.  Ela era alta, todo mundo me zoava kkk eu era baixin.

Eu arrumei um emprego como supervisor de bar neste club, o Cinema, então todo sábado as 4h da tarde eu já estava lá.

Até hoje lembro os detalhes do clube, todo preto, uma tela gigante onde passavam vídeos musicais, as luzes robóticas e o soundsystem incrível na época. Hernan Cattáneo era um dos DJs residentes da casa. Eu era fiel ao clube, jamais fui a outro lugar enquanto durou. Conhecia todo mundo, existia uma conexão com as pessoas q hoje não vejo. Eu perdi contato com a maioria dessa gente, a agenda de contatos era tudo num caderninho. Mas esta tudo na minha memória. Hoje como DJ quando toco tento recriar um pouco do que eu vivi.

TUNTISTUN: No Brasil a década de 90 foi uma explosão clubber, como foi na Argentina?

Foi um furor, os RP das boates distribuíam flyers na porta das escolas de ensino médio. A música eletrônica era o maior interesse das novas gerações. Clubes como Cinema, Pachá, Dimensión, El Cielo, La Embajada, New York City e Il inferno eram algumas das mais famosas em Buenos Aires.

Nos anos 90 na Argentina tudo estava ligado à moda. A calça fluor com velcro, as botas estilo doc marteen, mulheres de short bem curto, macacão de lycra com bota. Para os homens o hit era a calça jeans que hoje chamamos de skinny, mas que na época era chamada em espanhol de elastizada. Essa calça era tipo uma leggin, justa mesmo.

 O que hoje é o warm up de um club, antigamente tocava todo tipo de música, o pop estava no auge, Seal, Enya, Jamiroquai. A parte mágica do clube q eu frequentava era que sempre tinha os breakdancers dançando hip hop e breaks. Muita influencia da música negra de diversas partes. Era algo mágico e um dos melhores momentos da noite. Muita gente dançava coreografia estilo 4×4, existia uma conexão, união e todo mundo se conhecia.

Com respeito as drogas não se falava muito, eu era novo também, sabia que a cocaína existia, as sintéticas não eram muito dessa época, todos eram mais saudáveis, queriam viver a realidade, pirar na música.

Também tinha movimentos e festas rave na rua, nos lagos do bairro de Palermo para a chegada da primavera, vinham vários djs de fora. Tinha até um programa de TV que rolava uma balada ao vivo, Much Dance. Passava a tarde e durava horas e muitas figuras da noite eram convidadas pra participar desse programa.

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TUNTISTUN: Você pode fazer uma lista de umas 5 músicas que foram importantes nessa época na sua vida?

Vou mencionar algumas das que eu mais amava ouvir:

Anything box – a moment ‘s shifting. As músicas de antes tinham mais vocal, hoje na eletrônica é tudo mais dub.

Bizz Nizz – We re gonna catch you:

BBE Seven Days and One week:

Adamski & Seal – Killer Um eterno clássico:

The Stickmen – u can dew (stickmen crwalspace mix):

TUNTISTUN: Conta um pouco sua vivência como apreciador de música, você já viajou muito por aí e viu diferentes DJs?

Tem muitas festas e djs que ainda quero ver mas conheço bem a cena da Europa, já fui a Berlin, Ibiza, Londres, Lisboa, Paris e Barcelona, fui também à NYC e Miami, ai que saudades de aglomerar.

Berlin fui recentemente (2019) e me apaixonei, é a minha cidade favorita. Tem uma energia diferente e vibe única. Curti vários rolês, muitas noites saí sozinho, adoro interagir com gente nova, me relaciono bem com todo tipo de pessoa. Fiz meu diggin em alguns record stores,  Spacehall e alguns que tem seleções de house 90’s que me amarrei como Bikini Waxx , Marla e Kma60. Londres eu gostei muito também e fui numa festa na Oval Space que é um espaço todo aberto com vista para uma usina, tinha menos de cem pessoas, lá tava tocando Baby Ford e Thomas Melchior, b2b só em vinil e um som hipnótico. Também fui a um festival grande de mais de 100 djs no norte de Londres, Eastern Electrics. Foi muito doido, os ingleses são divertidos, eles se fantasiam pra ir nas festas, só figuras.

O som que eu curto hoje varia, sou de vários estilos, House, Techno, U.K garage, electro, breakbeat, idm. Nunca gostei de rótulos, por isso hoje talvez curto ouvir pessoas que não são tão famosas, mas sim djs que investem na pesquisa em vinil, que pesquisam muito. Gosto que me surpreendam e eu também tento fazer o mesmo quando me escutam. Tem muita coisa hoje em dia que não se acha mais no formato digital, eu fico desesperado as vezes por vinis, já cheguei a gastar 100 euros em um disco somente por uma faixa.

Quando fui a Miami fui durante no Winter Music festival, aí teve um dia que entro num restaurante e quem tava tocando era o Mark Farina, mandando funk, disco e house só em vinil, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Falei com ele depois, foi super simpático.

Djs que também já vi foi o Richie Hawtin. Fui numa festa em Ibiza na Space e, com a ajuda de amigos, fiquei com ele na cabine enquanto tocava na pista principal. Também tive a oportunidade de conhecer a Maya Jane Coles quando visitei Miami e sempre me cumprimentava quando me via, um amor de pessoa.

Ja vi o Theo Parrish quando tocou em Buenos Aires, no Club69, Underworld, Daft Punk e Chemical Brothers vi em alguns festivais.

Em Berlin recentemente vi o Quest da Italia que já tocou aqui na cidade. Lá eu vi ele tocar no Mítico Club der Visionaire. O mais engraçado que aconteceu neste noite foi q eu o produtor Rinaldo Makaj da label party 432 Hertz, veio me perguntar se eu era o Anachuri. Ele disse q tinha ouvido um set meu no soundcloud e lembrava de mim. Eu não acreditei, a música conecta pessoas. Desde aquele momento ficamos super amigos e no final da noite me convidou pra ir na casa dele tocar com uma turma. Depois outro evento massa foi o showcase da label slow life em Berlin onde tocaram vários djs como Laurine e Cecilio, rolê começou as 6 da tarde com S Moreira & the band, banda de jazz e fusão com eletrônica na Hoppetosse, q é num barco ancorado no Spree.

TUNTISTUN: E na cultura club, Brasil e Argentina, qual são as semelhanças e diferenças principais?

Comparando atualmente acho a cultura club do Brasil e Argentina bem parecidas. Hoje tudo está mudando, o que está rolando muito são festas. Pra manter um clube você precisa pagar um aluguel, luz, água, ter vendido uma quantidade X de ingressos, tem um custo fixo que não é para qualquer um. Acho que a cultura club no mundo está caducando, vários clubes fecharam suas portas. Acho que também que nos cansamos de ir sempre para um mesmo lugar, hoje em dia procuramos cenários diferentes, da natureza, da rua,  ocupar novos espaços.

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TUNTISTUN: E mais atualmente, como ainda está a cena argentina? Ela evoluiu muito dos anos 90 para os anos 2000?

Na verdade tiveram alguns acontecimentos que prejudicaram o circuito noturno da Argentina, inclusive os festivais. Há uns anos atrás teve uma time warp onde tiveram algumas mortes num lugar que cabia 2 mil pessoas e, na verdade, recebia mais de 3 mil. Em razão dessa tragédia, o governo da época tomou medidas restritivas e mandou fechar vários clubs e também limitaram o horário de funcionamento e da venda de álcool até as 5h da manhã. Também cancelaram todas as festas after hours. O festival Creamfields também deixou de acontecer, eram 10 tendas, cada ano por volta de 60 mil pessoas participavam do evento. Eu fui em quase todos os Creamfields que rolaram.

 Mas a cena não morreu por completo,  alguns clubes ainda funcionavam como Crobar, Club Niceto, Cocoliche e Bahrein. Buenos Aires é um lugar que precisa de renovação o tempo todo, abrem muitos bares mensalmente, gosto do Avant Garten que é um bar de cervejas alemãs com vários projetos de música em vinil que reúne pessoas de várias idades. O que tá acontecendo hoje em Buenos Aires é algo mais intimista, lugares menores. Por exemplo, a pista do Club Levitar fica no pátio de uma antiga casa no bairro de Palermo. Gosto muito do Levitar onde vários amigos tocam – Lorenzo Casanellas é um deles. Ele faz parte de uma geração nova, mas é pesquisador de vários gêneros e sempre está investindo em discos novos, uma pesquisa excelente, atemporal.

TUNTISTUN: A noite sempre foi forte em Buenos Aires, e nos resto da argentina, você tem conhecimento?

A cena de Córdoba é forte, tem vários clubes e festas, talentos como o dj e produtor Nacho bolognani. A cena de Rosario também é boa e tem vários produtores bons como Cape da label Savor. Já a província de Misiones tem eventos legais e na Patagônia tem uma cena boa na província de Neuquén. Tem também as áreas da costa argentina, Mar del Plata tem vários clubes, lá tem um amigão o Cordero que lançou seu primeiro vinil para a label Overtunes. Eu venho tocando muito as tracks dele.

TUNTISTUN: E porque você veio parar em Brasília?

El amor hehe, conheci meu namorado que foi a passeio pra Buenos Aires, começamos a namorar e eu decidi deixar tudo pra trás, inclusive meu apartamento e emprego. Namoramos 1 ano à distância até que me organizei e mudei pra Brasília, faz 10 anos já. Independente disso,  eu sempre fui apaixonado pelo Brasil. Com 15 anos já fazia aulas de português, estava imerso na cultura, ouvia música brasileira, assistia a TV brasileira e tinha amigos brasileiros também. Sempre sonhei em estar aqui. Quando cheguei em Brasília em 2011, eu não era DJ ainda. Eu montei uma empresa virtual que funcionava como central de reservas hoteleiras e de aluguel de temporada. Eu trabalhava nessa área na Argentina então trouxe uma carta boa de clientes para montar meu negócio aqui. Depois comecei a frequentar alguns lugares aqui que sempre tinham djs, em 2015, trocando ideia uma vez com Bruno Arlequim o convenci de me dar aula de discotecagem. Depois ele e Wash decidiram abrir a DJ school. Fui o primeiro aluno formado na escola de DJs deles. Eu sempre gostei de música eletrônica, tinha saudades de ouvir umas músicas que eu curtia e precisava me expressar de alguma forma.

O começo não foi fácil, mas muita gente bacana me ajudou e sou grato até hoje porque me ajudaram a me aperfeiçoar como DJ. Hoje eu me sinto satisfeito com o caminho percorrido, quero crescer e melhorar mais a minha pesquisa. Como artista acho impossível deixar todo mundo feliz, mas pela trajetória e persistência as pessoas também passam a te respeitar.

No meu ponto de vista o dj tem sempre que surpreender, se arriscar, ter sensibilidade, misturar gêneros, tocar aquela música que vc acha que o público irá ao delírio, sempre ter um plano B. A construção na mixagem é essencial.

TUNTISTUN: O que achou da cena de Brasil como um todo?

Eu acho que o Brasil tem uma das melhores cenas do mundo, Brasília, São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte onde acontecem grandes festas e tem djs e produtores muito talentosos. Acho que a cena é diversa e rica também por ser um país grande e cada lugar ter sua identidade própria.  Tive a oportunidade de tocar com djs daqui que gosto muito como Benjamin Ferreira na festa Lust e na balada em tempos de Crise. Por causa da pandemia também toquei numa festa virtual de BH, a Horny. No line up estava Amanda Mussi, que sou fã e foi uma ótima oportunidade pra mim poder conhecer ela.

TUNTISTUN: Que na Argentina as pessoas gostam de dançar eu não tenho dúvidas, mas no que a cidade poderia se inspirar da noite argentina?

Ela é diferente de Brasilia porque Buenos Aires é bem turística. O que vejo lá é muito mais variedade. Tipo a maioria dos bares tem ciclos de música eletrônica underground, mesmo fora da capital. Sempre tem djs convidados, tem cultura eletrônica. Outra coisa que beneficia lá são os espaços, geralmente o movimento nas ruas traz segurança para alguns bairros, não existe lei de silêncio, por isso muita gente não reclama do barulho. Tem um lugar chamado Rô que fica no bairro de Palermo, um bairro bem badalado, a festa acontece dentro de uma loja, tem área externa, mas o som não incomoda os moradores e olha que fica no meio de vários prédios residenciais.

TUNTISTUN: E músicas da atualidade, mostra mais 5 pra gente?

Está é uma label e evento lgbtqia+ de Barcelona da qual sou fã, a Isabella uma das comandantes da festa Maricxs, lançou este EP, primeiro da label.

Liquid Earth, era antigamente Urulú de L.A, que tive a oportunidade de ver tocar em NY. As antigas produções dele eram mais de deep house, hoje tem produzido mais house, ambient e breakbeat.

Wil Do é um dj e produtor do Paraguai bem atuante na cena de lá e bem conectado com o Brasil, suas produções são incríveis como esta aqui. Este vinil foi lançado para a label treysdos.

Villaça que é artista de São Paulo, tenho gostado de tudo que produz atualmente. Lançou um vinil recentemente para a label francesa Antam.

And.rea é um talentoso artista da Italia, mas cada vez bem aprimorando suas produções, lançou este ep para a label West discos de Portugal. Disco completo é sensacional.

TUNTISTUN: Tem acompanhado as produções e Djs novos da cidade? Tem alguns pra indicar?

Tem pessoas da nova geração, curto as produções da Slow, Beep Dee, Mateus Cruz e Allan Blue. São pessoas que estão produzindo há um tempo e tem um gosto semelhante ao meu. Os djs que eu gosto daqui é a Faa que é a minha sobrinha. Ela está a cada dia mais afiada, sempre pesquisando, com personalidade e boas referências. O Igor Albuquerque, o conheci na Lust, festa da qual sou residente. O trabalho dele como dj e a pesquisa que faz vem me cativando cada dia mais. Gosto da Isa49, que começou a pouco tempo mas consegue ter versatilidade sempre e eu gosto disso.

Curto o som da Leriss, que está atualmente na SNM. Ouvi o som da Madamy recentemente e adorei, vários acid house, downtempo e low bpm.

Tem novos talentos, como o Jhonat,(John) que se lançou como DJ a pouco. Acho que ele tem muito futuro e bom gosto musical. Se eu puder chamá-lo para algum rolê que eu faça ele será o primeiro. O Kesley, Allice q estão começando e os dois com pesquisas muito boas.

Adoro também o seu som, e o do meu amigo Isn’t. Lendas de Brasília.

Dos eventos da cidade tem muitos que gosto e já toquei em algum momento como Balada em Tempos de Crise, na Birosca, Vapor e Picnik.

TUNTISTUN: Você já ta tocando em alguns lugares ne? Acha que a noite vai voltar diferente?

Estamos no meio de uma pandemia, acho que nossas atitudes hoje impactarão no nosso futuro. Tenho tocado mais em bar, no Yard na torre de TV, Velvet, Birosca e no Infinu. Somente lugares que cuidem do nosso público, não aglomerando e que respeitem os protocolos e as normas de segurança.

Com respeito a noite tô percebendo que muita gente tem saudades dos rolês, mas poucas estão saindo, estão sendo prudentes. Acho que os posicionamentos dos coletivos, até políticos, ajudaram a melhorar o nosso ambiente. Acredito que nada voltará a ser como antes, as noções de higiene e de como aglomerar para combater o vírus vão permanecer de alguma maneira porque mesmo com vacina o vírus vai estar aí então um dia vamos voltar a fazer nossos rolês mas de forma diferente, mais consciente e segura, mas com a mesma vibe boa e criativa de sempre.

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DJ Oblongui

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